Raiva de T.I.: Contendo a vontade de explodir tudo

Image for post
Image for post

Várias pessoas já confessaram gostar da T.I. porque há mais interação com máquinas e menos com pessos, num sentido de gerar menos stress. Tal afirmação podia estar mais certa em, digamos, 2005, mas a área evoluiu de tal forma que os típicos programadores reclusos, vivendo nos seus porões escuros, com apenas a companhia de uma batata chips e uma coca cola, mexendo em um computador vindo direto da Matrix 24 horas por dia sem dormir, praticamente não existem mais (ou escondem esse lado muito bem). Hoje em dia isso é bem mais diversificado, gente de diversas tribos e culturas e em sua maioria extrovertida e menos geek. Embora seja verdade que o contato entre pessoas é menos frequente (especialmente em um sistema totalmente remoto), você ainda vai interagir muito com colegas, chefes, clientes, sofrer a grande pressão que eles podem exercer sobre você… e não pense que as máquinas são santas não.

Hipoteticamente, você é uma pessoa eficiente e centrada nos seus objetivos. Já desenvolveu técnicas para controlar seus próprios erros e evitar momentos de frustração como os descritos aqui. No entanto, algo acontece para te impedir de seguir adiante com um sorriso no rosto. Importante salientar que dessa vez a culpa não foi sua, porém isso não torna a situação mais tranquila. Se você já esgotou o estoque de perucas e/ou acabou de trocar os aparelhos destruídos em outra ocasião, provavelmente sabe o risco que tem deixar o stress entrar pela porta. Considere os casos a seguir e veja como pode lidar com cada um deles.

O programador que gera bugs

Em vários projetos tem aquele momento que muitos bugs aparecem ao mesmo tempo, parecendo o apocalipse. A culpa automaticamente cai naquele programador mais desatento, que cometeu muitos deslizes como você no passado. Se você programa junto a ele, pode sentir suas veias saltarem devido aos padrões de qualidade do seu código estarem arruinados. Se é gerente ou QA, vai ser bem mais difícil evitar que os clientes vejam todos esses problemas, o que gera um stress ainda maior. Então como lidar? Bem, o importante aqui é analisar tudo o que aconteceu que pode ter causado os bugs encontrados. Quantos deles foram culpa de fato do programador? Quantos foram por falha de comunicação, estrutura ou gerência? O que fazer pra evitar que aconteçam os mesmos problemas? O que dizer pro cliente para mitigar a situação? Com isso, você evita descontar sua frustração em um só responsável, voltando o foco para a solução. Só não passe pano pro que o programador fez de errado.

O cliente indeciso

Clientes, as melhores pessoas. Tão bom agradá-los, tão péssimo fazer o contrário. As exigências do cliente sempre devem ser ouvidas, principalmente porque ele está ajudando a financiar suas perucas. No entanto, muitas vezes o cliente passa por cima do processo e decide fazer mudanças em uma feature depois ou durante o desenvolvimento. Se for algo rápido de fazer, como uma fonte, alinhamento ou cor, é tranquilo, mas caso sejam pedidas muitas mudanças “porque não gostei assim e quero ver como fica de outro jeito”, quem está desenvolvendo vai ficar num loop quase infinito. O que é importante aqui? Acusar ele de atrasar o projeto? Mandar um presente deselegante por correio? Dar um ultimato em qual estilo ele deve escolher? A última opção pode até funcionar, desde que esteja bem claro o quanto as mudanças estão afetando o andamento do projeto. Pode acontecer de ser pedida uma mudança e o cliente voltar atrás dizendo que não deveria estar assim. Grave o pedido de alguma forma (email, prints, audio) e jogue na cara dele (não literalmente). Caso ele continue muito indeciso, proponha pra ele um Teste AB, para que ele possa brincar com dois estilos diferentes de aplicação. Esganá-lo não é a solução.

A chefe desorganizada

Parecido com o caso do cliente, porém duas vezes mais incômodo. Digamos que esta chefe não tem um bom planejamento e surge com demandas pra ontem. Melhor ainda, você está no início da demanda e surgem outras pra anteontem. Priorize todas, viu? Pule de todas as formas para garantir que tudo será entregue no prazo curtíssimo. Por que a tarefa do carrinho ainda não está pronta? Talvez porque foi mandada a tarefa da tela de usuário quebrada para focar primeiro. Há momentos em que a tarefa foi mal explicada, você executou de tal jeito e a chefe aponta em público que está errado e crítica seu trabalho. Esse tipo de caso precisa de um cuidado especial, pois é o que mais faz a gente enlouquecer e querer explodir tudo (implodindo nós mesmos no processo). Reforce sempre o que cada prioridade de tarefa vai impactar nas que foram interrompidas ou nas que ainda virão. Analise e comunique as dependências de cada tarefa para expor possíveis riscos. Pergunte mais de uma vez sobre a definição vaga de tal tarefa, até esclarecer o máximo de informações possível. Registre bem a solicitação, para caso haja uma bombinha surpresa te esperando depois que tudo foi feito você ter um álibi. Se houver muita falta de respeito, converse com a chefe ou alguém superior a ela em um momento tranquilo e exponha o incômodo.

A máquina rebelde

É aqui que voltamos ao primeiro parágrafo. Relações humanas podem ser extremamente difíceis, de forma que o meio digital atrai bastante. É só ver como funcionamos hoje, muitas vezes ficando mais nas telas do que interagindo fisicamente. Porém, veja só: seu computador começou a ficar extremamente lento, de forma que cinco minutos é o mais rápido que você consegue para fazer uma tarefa simples. Você busca café, vai no banheiro assistir um vídeo engraçado no celular (que também começou a travar porque a memória está cheia), volta e o computador ainda não terminou de carregar o arquivo que você precisava. Se a internet ou a luz cai, uma peça queima, um bloqueio de rede impede seu acesso aos ambientes, ou até o teclado trava, seu trabalho inteiro pode estar comprometido. O mundo desaba como uma bigorna. Aquela vontade de pegar e jogar tudo longe aumenta. Como lidar com esse caso? Bom, não tem muitas soluções definitivas para esse caso, já que o inesperado e sobrenatural pode acontecer. O principal é garantir que sua máquina está funcionando corretamente, que está bem protegida contra vírus, rede configurada conforme o padrão, a memória não comprometida por programas pesados, as peças no seu devido lugar e a internet bem conectada. Esteja em contato frequente com os técnicos para garantir que o equipamento está em ordem. De resto, respire bem fundo e aceite que as máquinas são rebeldes por natureza.

Esses são apenas alguns dos casos que mais nos irritam durante o trabalho. Muitos outros tem soluções bem parecidas com as citadas acima. No geral, procure relaxar a mente, parar por alguns minutos, tomar bastante água, pegar um objeto para apertar com as mãos, ouvir músicas relaxantes ou até comer um lanche leve. Qualquer coisa que te impeça de chegar no trabalho a la terrorista (a versão remota disso enviando bombas pelo correio nas casas alheias). Este artigo não deve ser tratado como verdade absoluta, mas espera ajudar de alguma forma. Fique à vontade para compartilhar qualquer caso que te irrite na profissão e como aprendeu a lidar com isso. Boa sorte no seu desconforto.

Originally published at https://artur-balestro-64467.medium.com on November 8, 2020.

Impulsionar pessoas para inovar o mundo

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store