Ambiente de trabalho e depressão, como empresas podem ajudar seus colaboradores?

Há, sem dúvidas, um processo árduo de educação e conscientização dentro do ambiente empresarial num todo em relação às diversas patologias relacionadas ao campo da saúde mental. Porém, mesmo com a presença deste trabalho, ainda há necessidade de analisarmos como precisamos conciliar o acesso à informação e sua prática de fato.

Em sumo, o processo de educação e conscientização ocorre com o intuito de, justamente, alcançar indivíduos específicos que ainda não foram expostos a um determinado tópico. Tal processo pode então desencadear uma reavaliação dos conceitos que uma pessoa teria em relação ao assunto da saúde mental.

Após o período de teorização, alcançamos então o ponto chave em que ambientes diversos, não somente o empresarial, pecam no atendimento das demandas de um colaborador que possui de fato condição patológica desfavorável — a intersecção entre teoria e prática, conscientização e mudança.

Pensando na perspectiva dos sujeitos com transtornos depressivos, há uma carência quando falamos de ferramentas que são realmente aplicadas no dia-a-dia do indivíduo que tem este diagnóstico e convive com as características da patologia de modo contínuo. O processo de educação e conscientização é sim efetivo, mas somente até certo ponto. Mesmo munidos de medicamentos, terapias diversas, abordagens sistêmicas, metodologias de enfrentamento, etc. Também necessitamos de ambiente apropriado para desenvolver em todos os sentidos, principalmente na melhora do quadro patológico. Todo indivíduo tem funcionamento biopsicossocial — e seu desenvolvimento pessoal apoia-se e inter-relaciona-se diretamente sob esse prisma.

Se há estimulo para desenvolvimento saudável para o indivíduo, podemos facilitar o processo em seu total.

No que tange o ambiente empresarial, podemos visualizar a melhora através das seguintes ações:

  • Flexibilização de normativas
  • Entendimento sobre o processo da entrega de um funcionário
  • Expansão das margens para erro

Para bom funcionamento, precisamos de normativas que guiam o processo por completo no ambiente da empresa. Entretanto, normativas que visam uma solução através da generalização costumam prejudicar tais indivíduos. Já que, forçam um funcionamento que está ligado à um comportamento padrão que simplesmente não existe na realidade operante de uma pessoa com transtorno depressivo, principalmente se o transtorno for de aspecto persistente, como na distimia.

Outro fator agravante, é a expectativa da entrega de resultados de maneira padronizada, constante e ininterrupta. Não conseguimos produzir nem manter de maneira precisamente cirúrgica nossas entregas à todo tempo, teremos entregas diferentes, com altos e baixos em todos os aspectos, produziremos mais em um dia e menos no outro, iremos cometer mais erros em determinados momentos, em outro não tanto, todo dia será diferente.

A junção destes dois fatores comentados anteriormente, nos trás então ao cenário mais presente em todo e qualquer ambiente: pequenas margens para erro ou experimentação durante o processo de produção. Há uma expectativa irreal sobre o número de tentativas até que o processo funcione devidamente. Atrelamos datas, culpamos, constrangemos, menosprezamos o processo de construção olhando somente para seu resultado e classificamos o mesmo como aceitável ou inaceitável, sem interpretar e observar se este processo foi saudável ou plausível como um todo.

O ambiente de entrega deve estimular o fator orgânico e experimental do ser, não inviabilizá-lo.

Originally published at https://medium.com on April 8, 2021.

Impulsionar pessoas para inovar o mundo

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store